Gestão de Negócios

Como o uso da tecnologia vem revolucionando o mercado financeiro?

Escrito por SONDA

Se você tem acima de 30 anos e morou em São Paulo em algum momento da vida, certamente deve se recordar que, até alguns anos, caminhar durante a semana pela charmosa rua XV de Novembro (no centro da cidade) era garantia de deparar-se, ao menos por instantes, com a curiosa sinfonia confusa e alucinada dos gritos de centenas de operadores que, dos fundos do neoclássico edifício-sede da Bovespa, esgoelavam-se no pregão viva voz com seus telefones, tentando fechar negócios no mercado financeiro.

Foram 119 anos de gritos histéricos até que o último martelo fosse batido, em 2009. Quem passa pela mesma rua hoje já não reconhece mais a região, tamanha a transformação que o pregão eletrônico levou ao mercado de capitais.

No setor bancário, as mutações também foram profundas. Em um universo em que o lançamento de hoje é o antiquário de amanhã, “antigas novidades”, como o Nubank (criado em 2013), já parecem obviedades perto de tendências muito mais “futuristas” que, na iminência de invadirem o setor, mais parecem ter vindo de algum filme de ficção científica. Quer saber quais? Então confira agora se você está realmente atualizado com o que virá!

Chip NFC para disseminar a virtualização dos pagamentos

Não bastassem as fintechs, os bancos agora são ameaçados por gigantes de outros segmentos, que começam a atuar no setor financeiro para ampliar o case de serviços oferecidos aos seus clientes. Um exemplo é a entrada da Apple, do Google e da Samsung no setor de pagamentos. Essas empresas desenvolveram sistemas que utilizam os chips NFC de seus smartphones para que os próprios dispositivos se tornem uma espécie de cartão. Há estudos que, inclusive, indicam que essas transações superarão as efetuadas por cartões de crédito até 2019.

É esse movimento que explica por que a Coreia do Sul anunciou o fim da circulação de papel-moeda até 2020. Impulsionados por bitcoins e pagamentos por QR Code no celular, países escandinavos (como Suécia e Islândia, que já têm nas transações digitais a base de suas operações financeiras) também sinalizaram o fim do papel-moeda até 2021.

Migração dos serviços financeiros centralizados para as plataformas colaborativas

Os serviços em nuvem abriram as portas para o infinito no mundo dos negócios e, evidentemente, o mercado financeiro não está fora dessa revolução. Assim como a Uber se tornou a maior empresa de táxis do planeta sem dispor de um só veículo e a Airbnb, a maior companhia de locação de imóveis sem ter um único quarto, o monopólio dos bancos sobre os serviços financeiros deve desabar em breve por força das fintechs, o que exige que o setor se prepare para realizar parcerias com startups e desenvolvedores externos, por meio das plataformas de serviços financeiros que tendem a se popularizar nos próximos anos.

Essas plataformas multicolaborativas (em substituição aos atuais serviços financeiros bancários) serão uma espécie de “supermercados financeiros digitais”, processo que passa, inevitavelmente, pela abertura das APIs dos bancos para desenvolvedores. No mercado internacional, esse fenômeno já é chamado de “unbundling of banks” (desmonte dos bancos).

Quer um exemplo? Na Alemanha, o Solaris Bank foi o primeiro banco a pensar em seus serviços como plataforma aberta.

Utilização de Big Data Analytics no relacionamento com clientes

Que as agências físicas estão com os dias contados, isso todos sabem (apenas em 2015, as operações via Mobile Banking aumentaram incríveis 138%, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária). A grande questão é que a proliferação dos canais digitais vem fazendo com que o mercado financeiro (bancos, corretoras de valores, financeiras) estejam aperfeiçoando sua capacidade de coletar os dados das operações digitais, transformando-os em informações gerenciais essenciais aos seus negócios. É a era do Big Data Analytics no mercado financeiro.

Um exemplo prático de como isso começa a ocorrer vem das corretoras de valores, que já utilizam sistemas com alto poder de tratamento de dados para definir eletronicamente o perfil de risco do investidor, cruzando-o com oportunidades de mercado e análises fundamentalistas/técnicas para montar sua carteira de investimentos.

Nos bancos, a análise de dados caminha para um cenário em que os produtos ideais a cada cliente serão oferecidos no bankline de forma personalizada e no momento exato de suas necessidades (relacionamento com o cliente). Além disso, o uso de algoritmos para diagnóstico de acessos suspeitos (segurança da informação) também vem sendo aprimorado para combater fraudes/intrusões.

Aprendizado de máquina avançado para aprimorar serviços

Os conceitos de Inteligência Artificial e Machine Learning foram o start para o desenvolvimento de diversas tecnologias preditivas mais profundas, já usadas pelo mercado financeiro para automatizar processos, estimar mudanças de tendências, comportamento dos clientes, performance de ativos, etc. As tecnologias em redes neurais, por exemplo, já foram implementadas por grandes instituições financeiras internacionais para avaliação de contratos, gerenciamento de risco e liberação de crédito.

Adoção da tecnologia blockchain no fortalecimento da segurança de dados

O bitcoin já foi apelidado de “ouro digital”, no auge da febre das transações dessa moeda virtual criada para desafiar o poder do sistema financeiro. Entretanto, com a acentuada queda no volume de suas negociações e o crescente interesse dos bancos em incorporar a tecnologia blockchain em seus processos (sistema de criptografia que dá suporte às transações com bitcoins), parece que estamos diante de mais um caso em que a criatura engoliu o criador.

O bitcoin foi desenvolvido para confrontar a hegemonia bancária; ironicamente, tudo indica que sua tecnologia-base será usada para fortalecê-la ainda mais. O blockchain desperta tanto interesse dos bancos devido ao seu alto potencial de assegurar transações seguras com o seu sistema de encriptação (que aprimoraria a segurança digital dessas instituições, levando a praticamente zero as possibilidades de fraudes).

A seriedade com que o mercado financeiro enxerga essa tecnologia é tão grande que grandes players do segmento, como Nasdaq, Visa e Citi, já mergulharam em testes para aplicar a segurança do blockchain em suas transações financeiras.

Internet das Coisas (IoT)

O setor financeiro é o que mais investe em TI no país. O Banco do Brasil, por exemplo, investiu mais de R$ 18 bilhões em tecnologia, apenas entre 2010 e 2016. O setor, como um todo, respondeu por cerca de 13% dos investimentos feitos em TI feitos em 2015, o que mostra o quanto as instituições estão buscando reinventar-se, adaptando-se às novas demandas. Nem havia como ser diferente.

Para combater novos entrantes no setor (como o Facebook, que lançou serviço de transferência de dinheiro grátis entre contatos), os bancos estão cada vez mais atentos às possibilidades de uso da IoT, provendo mais facilidades aos seus clientes em níveis sem precedentes. Já existem, por exemplo, diversos projetos de mobile payment via “carro inteligente”.

“A revolução da informação representa uma nítida transferência de poder de quem detém o capital para quem detém o conhecimento.” A frase é do guru da Administração, Peter Drucker, e ilustra bem as transformações que vêm ocorrendo no mercado financeiro por força das novas tecnologias. A propósito, você, CFO de instituições financeiras, como tem preparado sua empresa para a tempestade de novos processos que a TI tem trazido ao segmento?

Quer continuar se aprofundando no tema e ter ainda mais insights para aprimorar processos em sua empresa? Então continue conosco, descobrindo tudo sobre o que é mobilidade corporativa e como ele pode impactar o mundo dos negócios

Sobre o autor

SONDA

A SONDA, maior companhia latino-americana de soluções e serviços de tecnologia, atua em 10 países com mais de 22 mil colaboradores e 5 mil clientes ativos. Em parceria com seus clientes, a SONDA acredita que com o uso de soluções tecnológicas é possível transformar seus negócios, permitindo conquistar eficiência e vantagem competitiva. Entendemos do seu negócio e sabemos fazer acontecer, contando com uma equipe altamente capacitada. Para mais informações, acesse www.sonda.com/br.